13.7.06

noites extemporâneas

cantou-me com uma voz cigana e eu bati palmas ritmadas. chorei como acontece sempre que me imociono, mas desta vez para fora. disse-lhe na ponta dos dedos que o mundo das sensações é infindável; que são precisos mil anos para desgastar aquele infinitésimo de segundo que o corpo e a memória sustêm ainda muito vivo. e agora que os corpos distinguem perfeitamente as destrezas da anatomia e do amor, só nos resta o abraço pungente. agora que a noite e o dia sucumbem despreocupados e limpos; impecáveis na sua função de sempre.

o mesmo fomos

sobre manhãs inteiras, na utopia do fim, fomos o barro moldado pela humidade das madrugadas, - nos dias em que tudo se desmoronava como o incenso de mirra.

11.7.06

a cantar desde...

uma nota carregou-me às costas pela cidade surda. disse-me que tinha como amigas outras notas, e levou-me a um bar ao fundo de uma rua suja, onde improvisamos música regados a whisky de malte e outra malta. alguém desenhava um traço branco na madeira enegrecida de um balcão de histórias, e o dia nasceu nos corpos cansados e de olhos ainda despertos, e um Ré bemol vociferou música indizível.

de volta ao fundo

um momentâneo desencontro das artérias impulsivas, faz-me acreditar que acertei no tempo mais propicio do acto. o contrário, desmorona tudo e retribui normalidade.

menos uma

é seguro sucumbir pelo que sinto. na hora H as máscaras caem como tordos, e fica-se cansado mas tranquilo na consciência. se a transparência nos obriga a exigir-mos mais de nós próprios, seremos mais transparentes, de forma a chegar mais cérebro ao sangue, e vice-versa. (pior do que o mau cheiro em si, só esse mesmo cheiro regado de perfume)

num outro sítio

a fotografia acaricia, a mão afaga, o olhar repreende e é compreensivo… ------------------------------------- mas a rua de sempre espera-nos num outro sítio, pois é de antagonismo que se alimentam as nossas células inventivas, e também porque de alguma forma a realidade não nos convence em demasia.

aparentemente tranquilo

o coração dispara nesse olhar esguio, e isso activa a parte de onde o que se cria jorra, e eu vou alternando entre o eufórico e o apático, à espera que venhas para repor algum meio-termo ao que hoje sinto, e mais importante ainda, à forma como o faço.
A minha foto
........................gra(')f.ico.ismo.onola.......... demasiado colado à palavra para ser uma outra coisa que não isto. utopia de mim, abismos da imagem arrancada e digerida.

O ROSTO À LUPA DE MIM

blog inTemporal

O dia de hoje podia muito bem ter sido um outro. Amanhã vemos isso.
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